PCP na Guarda denuncia: Portugueses explorados na Roménia

pcp-logotipoO Secretariaido da Direcção da Organização Regional da Guarda (DORG) do PCP emitiu um comunicado no dia 30 de Junho onde denuncia as condições de exploração em que se encontram cerca de 200 trabalhadores portugueses na Roménia contratados pela empresa Delphi  Esta empresa que tem em vista o despedimento de mais de 700 trabalhadores da sua filial na Guarda até final do ano, desloca trabalhadores impondo-lhes condições de autentica escravatura.  Esta é uma notícia que pode ler no Avante desta semana. Veja aqui o comunicado da DORG.

QUEM RESPONDE PELA VIOLAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS DOS TRABALHADORES DA DELPHI A TRABALHAR NA ROMÉNIA?  

Cerca de 200 trabalhadores da Delphi estão a trabalhar na Roménia, há um mês, em condições de quase escravatura: 12 horas de trabalho diário nas linhas de montagem a um ritmo acelerado, a que se juntam mais 2 a 3 horas em deslocações, trabalhando aos sábados e domingos. 

Notícias que chegam da Roménia revelam que os trabalhadores estão indignados e revoltados, exemplo disso são as afirmações: “é a escravatura do século XXI – estamos cá há um mês e ainda não tivemos um dia de descanso”. A administração da empresa procura convencer os trabalhadores a ficarem mais um mês mas as resistências são muito fortes. Alguns, que tiveram a ousadia de se deslocaram a Portugal, já não voltaram.

 

Estas são as condições de trabalho, em pleno século XXI, de trabalhadores portugueses ameaçados de despedimento. Fragilizados na sua estabilidade laboral e social, em face de compromissos económicos dos seus agregados familiares, são coagidos a aceitar esta violenta exploração da sua força produtiva. Estas condições de trabalho configuram uma verdadeira violação dos direitos humanos. Quem responde pela situação degradante em que estes portugueses se encontram?

 

Existe a convicção, em alguns destes trabalhadores, que sendo eles da desactivada linha de produção do Tuwingo serão eles os primeiros a serem despedidos, daí sentirem-se mais pressionados a aceitarem as condições degradantes que lhes são impostas Por outro lado, tendo ido substituir trabalhadores romenos que abandonaram a produção por não aguentarem as inqualificáveis condições de trabalho, consideram um embuste a versão do Ministro da Economia da ida para a Roménia para se especializarem numa linha de produção que depois seria deslocada para a fábrica da Guarda.

 

Esta perspectiva, ajusta-se com a anunciada intenção da Administração da empresa de prosseguir com o calendário de despedimentos de 700 trabalhadores, todos eles vitimas de um mecanismo de chantagem a partir da ameaça de despedimento, para os obrigar a aceitarem o inaceitável nas suas condições de trabalho.  

 

O que se está a passar com estes trabalhadores é a antecipação da aplicação das novas medidas contidas no Livro Branco para as Relações Laborais, há dias foi divulgado, e que, entre outras barbaridades, propõe acabar com o conceito de horário de trabalho diário. Durante milénios o ser humano foi das mais diversas formas usado até ao esgotamento das suas forças, sem limites e sem horários. Muitos anos de luta de gerações sucessivas de trabalhadores conquistaram o direito ao horário de trabalho e o descanso semanal foi conquistado há mais de um século…

 

A DORG do PCP responsabiliza o Governo português por esta violação grosseira dos direitos dos trabalhadores e pelas consequências que decerto advirão no futuro quanto à sua saúde física e psíquica.

 

30 de Junho de 2007

O Secretariado da DORG

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